CONSULTA PÚBLICA No- 5, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2011
Enviado: Qua Jan 04, 2012 3:17 pm
Diário Oficial REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Imprensa Nacional BRASÍLIA - DF
DOU de 14/12/2011 – seção 1
Ministério da Saúde
Secretaria de Atenção à Saúde
CONSULTA PÚBLICA No- 5, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2011
O Secretário de Atenção à Saúde, torna pública nos termos do Art. 34, inciso II, c/c Art. 59 do Decreto No- 4.176, de 28 de março de 2002, minuta de Portaria que aprova, na forma do Anexo, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Acromegalia.
O texto em apreço encontra-se disponível, também, no seguinte endereço eletrônico: www.saude.gov.br/sas. A relevância da matéria recomenda a sua ampla divulgação, a fim de que todos possam contribuir para o seu aperfeiçoamento.
As contribuições deverão estar fundamentadas em estudos clínicos de fase III realizados no Brasil ou no Exterior e meta-análises de ensaios clínicos, e ser enviadas, exclusivamente, para o seguinte endereço eletrônico pcdt.consulta2011@saude.gov.br, especificando-se o número da Consulta Pública e o nome do Protocolo no título da mensagem. Os arquivos dos textos das fontes bibliográficas devem também enviados como anexos.
O Departamento de Atenção Especializada da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (DAE/SAS/MS) avaliará as proposições recebidas, elaborando a versão final consolidada do Protocolo ora apresentado.
Fica estabelecido o prazo de 40 (quarenta) dias, a contar da data de publicação desta Consulta Pública, para que sejam enviadas contribuições, devidamente fundamentadas, relativas ao citado Protocolo, para sua posterior aprovação, publicação e entrada em vigor em todo o território nacional.
HELVÉCIO MIRANDA MAGALHÃES JÚNIOR
ANEXO
PORTARIA No- XXXXX, DE 2011
O Secretário de Atenção à Saúde, no uso das atribuições;
Considerando a necessidade de se atualizar parâmetros sobre a acromegalia no Brasil e de diretrizes nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos indivíduos com esta doença;
Considerando que os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) são resultado de consenso técnico-científico e são ormulados dentro de rigorosos parâmetros de qualidade e precisão de indicação e posologia;
Considerando as sugestões dadas à Consulta Pública SAS/MS No- 5, de 12 de dezembro de 2011; e
Considerando a avaliação do Departamento de Assistência Farmacêutica - DAF/SCTIE e do Departamento de Atenção Especializada - DAE/SAS, resolve:
Art. 1º - Aprovar, na forma do Anexo desta Portaria, o PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS - ACROMEGALIA.
§ 1º - O Protocolo objeto deste Artigo, que contêm o conceito geral da acromegalia, critérios de diagnóstico, critérios de inclusão e de exclusão, tratamento e mecanismos de regulação, controle e avaliação, é de caráter nacional e deve ser utilizado pelas Secretarias de Saúde dos Estados e dos Municípios na regulação do acesso assistencial, autorização, registro e ressarcimento dos procedimentos correspondentes.
§ 2º - É obrigatória a observância desse Protocolo para fins de dispensação de medicamento nele previsto.
§ 3º - É obrigatória a cientificação do paciente, ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e efeitos colaterais relacionados ao uso de medicamento preconizado para o tratamento da acromegalia, o que deverá ser formalizado por meio da assinatura do respectivo Termo de Esclarecimento e Responsabilidade, conforme o modelo integrante do Protocolo.
§ 4º - Os gestores estaduais e municipais do SUS, conforme a sua competência e pactuações, deverão estruturar a rede assistencial, definir os serviços referenciais e estabelecer os fluxos para o atendimento dos indivíduos com a doença em todas as etapas descritas no Anexo desta Portaria.
Art. 2º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º - Fica revogada a Portaria SAS/MS No- 471, de 24 de julho de 2002.
HELVÉCIO MIRANDA MAGALHÃES JÚNIOR
ANEXO
PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS ACROMEGALIA
1 - METODOLOGIA DE BUSCA DA LITERATURA
Foram realizadas busca nas bases de dados Medline/Pubmed, Embase e na Biblioteca Cochrane.
Na base de dados Medline/Pubmed foram utilizados os termos "Acromegaly" e "Therapeutics" e a busca foi realizada no dia 04/05/2011. Esta busca foi restrita para estudos em humanos e dos tipos ensaio clínico randomizado e meta-análise, resultando em 32 estudos. A busca não teve restrição de data ou língua. Destes estudos, não foram utilizados para elaboração deste PCDT os artigos sobre cirurgia para o tratamento da acromegalia, sobre reposição de GH após tratamento da acromegalia, observacionais, sem grupo controle, sem desfechos clínicos ou laboratoriais descritos. Com estes critérios, 13 estudos foram selecionados para elaboração deste PCDT.
Na base de dados Embase foram utilizados os termos "Acromegaly" e "Treatment" e foi realizada no dia 04/05/2011. Esta busca foi restrita para estudos em humanos e dos tipos ensaio clínico randomizado, revisão sistemática e meta-análise, resultando em 79 estudos.
A busca não teve restrição de data ou língua. Esta busca identificou 5 estudos que não haviam sido encontrados no Medline e que foram utilizados para elaboração do PCDT.
Na Biblioteca Cochrane, utilizou-se o termo "Acromegaly" para busca de revisões sistemáticas no dia 04/05/2011. Foram encontradas 3 revisões completas, sendo que nenhuma delas se referia ao tratamento da acromegalia e 3 protocolos de revisões a serem realizadas, sendo que uma delas se refere ao tratamento medicamentosoda acromegalia, mas ainda não apresenta resultados.
Para elaboração deste PCDT também foram consultados consensos de sociedades internacionais, livros textos de endocrinologia e o UpToDate 19.2, no do site http://www.uptodateonline.com/online/index.do. Todas as fontes utilizadas tiveram as suas referências revisadas na tentativa de obter outros estudos relevantes.
2 - INTRODUÇÃO
A acromegalia é uma doença crônica e insidiosa caracterizada pela hipersecreção do hormônio do crescimento (GH) sendo mais comumente resultante de um tumor hipofisário produtor de GH.
Além disso, a acromegalia também pode ser secundária a tumores produtores de GH fora da hipófise (tumores de células pancreáticas, linfomas), síndromes familiares e tumores com hipersecreção do hormônio liberador do GH (GHRH). O excesso de GH estimula a secreção hepática de insulin-like growth factor-I (IGF-1), que causa a maioria das manifestações clínicas da acromegalia (1, 2).
Os tumores hipofisários produtores de GH se originam de uma proliferação clonal benigna dos somotatrófos (células produtoras de GH localizadas na hipófise anterior). A formação destes tumores envolve mecanismos genéticos, hormonais e de sinalização intracelular.
A maioria dos pacientes com acromegalia secundária a tumores hipofisários tem mais de 50 anos e pacientes mais jovens em geral exibem tumores mais agressivos. Em relação ao tamanho, os tumores podem ser classificados como microadenomas (menos de 1cm) ou macroadenomas (mais de 1cm), sendo que mais de 70% dos tumores causadores de acromegalia são do segundo tipo (1, 2).
Além das manifestações clínicas e complicações associadas à acromegalia, existem evidências de aumento de mortalidade nestes pacientes (3). Naqueles pacientes com a doença não controlada, a mortalidade também parece estar aumentada (4).
A acromegalia é uma doença incomum sendo a sua incidência de aproximadamente 3 casos por milhão de pessoas por ano em estudos conduzidos na Europa e Estados Unidos (1). Em estudos de prevalência realizados na Europa, a prevalência varia de 40 a 70 casos por milhão de habitantes (5-9). Não foram encontrados estudos epidemiológicos no Brasil.
O tratamento pode ser feito por meio de cirurgia, radioterapia ou uso de medicamentos. É chamado de tratamento primário aquele usado como primeiro tratamento (em geral com intuito de controlar a doença em longo prazo). O tratamento secundário tem como objetivo o controle da doença naqueles pacientes não compensados após realização de tratamento primário.
3 - CLASSIFICAÇÃO ESTATÍSTICA INTERNACIONAL DE DOENÇAS E PROBLEMAS RELACIONADOS À SAÚDE (CID-10)
E22.0 Acromegalia e gigantismo hipofisário
4 - DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de acromegalia é feito pela suspeita clínica, da demonstração de excesso hormonal em exames laboratoriais e realização de exames radiológicos para determinação da causa de excesso de GH.
4.1 - DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Por ser uma doença insidiosa, o atraso no diagnóstico em geral é de 7 a 10 anos (1, 2). Os sintomas da acromegalia podem ser decorrentes do próprio tumor hipofisário produtor de GH como defeitos visuais, paralisia de nervos cranianos (por invasão de seio cavernoso) e cefaléia, ou decorrentes do excesso de GH.
O excesso de GH pode manifestar-se por sinais clínicos de crescimento excessivo (macrognatia, crescimento de pés e mãos, hipertrofia de tecidos moles, macroglossia), complicações musculoesqueléticas (artralgias, síndrome do túnel do carpo, miopatia) e complicações sistêmicas como hipertensão arterial sistêmica (em até 30% dos pacientes), diabete melito, cardiopatia, hipertrofia de ventrículo esquerdo e apnéia do sono. Em pacientes jovens que ainda não tiveram o fechamento da cartilagem de crescimento pode ocorrer crescimento estatural exagerado e gigantismo (1, 2, 10). Além disso, alguns estudos retrospectivos demonstraram aumento da incidência de neoplasia, especialmente de cólon, porém este associação permanece controversa (11, 12).
4.2 - DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
A maioria dos pacientes com acromegalia irá apresentar níveis elevados de GH e IGF-1. A comprovação deste excesso hormonal é imprescindível para o diagnóstico e deve ser feita pela dosagem de níveis séricos basais de IGF-1 e níveis séricos de GH após sobrecarga de glicose.
O melhor teste para o diagnóstico é a dosagem dos níveis séricos de IGF-1, estando elevado na maioria dos pacientes. Existem variações com a idade e com os diferentes métodos de dosagem, portanto os resultados devem ser avaliados levando em conta estas variações com os valores normais sendo fornecidos pelo laboratório (1, 13).
A avaliação laboratorial inicia-se com a dosagem do IGF-1 e, após, a dosagem do nível sérico de GH. A secreção de GH em indivíduos normais é pulsátil e estimulada por diversos fatores. Além disso, a concentração sérica de GH pode ser alterada por diversas doenças com diabete melito descompensada, doenças hepáticas e desnutrição.
Por estas razões, a dosagem de isolada de GH tem pouca utilidade diagnóstica, pois valores elevados podem ser encontrados em indivíduos normais em resposta a estímulos fisiológicos ou em indivíduos com outras doenças que ocasionaram sua elevação (1).
Entretanto, um valor muito baixo de GH (menor que 0,4 ng/mL) exclui o diagnóstico de acromegalia, especialmente se associado ao nível sérico de IGF-1 normal (2, 13).
A dosagem de GH após sobrecarga de glicose é um teste laboratorial dinâmico que permite a demonstração da não supressão da secreção de GH. Este teste é feito com dosagens de GH antes e após o paciente receber 75 gramas de glicose nos tempos 0, 30, 60, 90 e 120 minutos. Em pacientes normais os níveis de GH caem para menos de 1 ng/mL, sendo este o ponto de corte para caracterizar não supressão (1, 13, 14).
A dosagem no nível sérico de IGF-1 e o teste de supressão de GH após sobrecarga de glicose são também utilizados para avaliação de resposta ao tratamento nos pacientes com acromegalia (vide item 9).
Outros exames laboratoriais que são importantes para avaliação dos pacientes com acromegalia são a glicose de jejum (pela elevada prevalência de diabete melito nesta doença) e os níveis séricos dos hormônios para avaliação da função hipofisária nos pacientes com tumores na hipófise (ACTH, cortisol, TSH, T4 livre, LH, FSH e testosterona ou estradiol).
4.3 DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Os exames por imagem são importantes para determinar a origem do excesso de GH. Como a principal causa de acromegalia (cerca de 95% dos casos) é um tumor hipofisário produtor de GH, todos os pacientes com acromegalia devem ser submetidos a ressonância nuclear magnética (RM). Naqueles raros pacientes com diagnóstico clínico e laboratorial de acromegalia com RM normal, tumores ectópicos produtores de GH ou GHRH devem ser pesquisados.
Para isso, o paciente devem ser submetido a tomografia computadorizada de tórax e abdômen (1).
4.4 OUTROS EXAMES
Para avaliação das complicações decorrentes da acromegalia recomenda-se a realização de ecocardiograma, avaliação de distúrbios do sono e colonoscopia em todos os pacientes, devido a um aumento da incidência de neoplasia de cólon em alguns estudos (1, 14). Além disso, pacientes com tumores hipofisários que apresentem contato com o nervo óptico em RM ou tenham queixas visuais devem ser submetidos a exame oftalmológico com realização de campimetria.
5 - CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
Devem ser incluídos no tratamento medicamentoso deste Protocolo pacientes que apresentarem diagnóstico de acromegalia conforme definido no item 4. É obrigatório para o diagnóstico a presença de manifestações clínicas e comprovação laboratorial de excesso hormonal (elevação de IGF-1 e não supressão de GH após sobrecarga de glicose).
PARA OCTREOTIDA:
Para tratamento primário com octreotida o paciente deverá apresentar contra indicação ao tratamento cirúrgico e não apresentar sintomas compressivos secundários ao tumor.
Para o tratamento secundário, serão elegíveis os pacientes que após 3-6 meses após procedimento cirúrgico não apresentarem critérios de controle da doença (vide item 9) e aqueles que foram submetidos à radioterapia e ainda não apresentam o controle da doença.
PARA CABERGOLINA E BROMOCRIPTINA:
O tratamento primário com estes medicamentos não é recomendado neste PCDT. Para o tratamento secundário, serão elegíveis os pacientes que após 3-6 meses de uso regular de análogos de somatostatina não apresentarem critérios de controle da doença, neste caso sendo associado este medicamento (vide item 9) ou não tolerarem os análogos da somatostatina.
6 - CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Intolerância, hipersensibilidade ou contraindicação serão os critérios de exclusão ao uso do respectivo medicamento preconizado neste Protocolo.
7 - CENTRO DE REFERÊNCIA (CR)
Pacientes com acromegalia devem ser avaliados periodicamente em relação à eficácia do tratamento e desenvolvimento de toxicidade aguda ou crônica. A existência de centro de referência facilita o tratamento em si, bem como o ajuste de doses conforme necessário e o controle de efeitos adversos.
8 - TRATAMENTO
O tratamento da acromegalia pode envolver procedimentos cirúrgicos, radioterapia e terapia medicamentosa. Para terapia medicamentosa estão disponíveis duas classes de medicamentos: agonistas da dopamina e análogos da somatostatina. Estes agem no tumor diminuindo a secreção de GH.
O controle da acromegalia é importante não só para o controle dos sintomas, mas também para a diminuição da mortalidade destes pacientes. Além do tratamento da acromegalia, estes pacientes também devem receber tratamento para as complicações decorrentes desta, como hipertensão arterial sistêmica, diabete melito e doenças cardíacas.
CIRURGIA
Na maioria dos casos, o tratamento primário da acromegalia é cirúrgico (13, 14). A remoção completa do tumor secretor de GH resulta em resolução bioquímica e melhora das alterações clínicas.
Diferentemente do tratamento medicamentoso, a cirurgia pode levar a cura sendo, por isso, o tratamento de escolha em pacientes com microadenomas, macroadenomas não-invasivos e tumores com sintomas compressivos. O resultado da cirurgia depende de diversos fatores, entre eles, fatores anatômicos do tumor e experiência do cirurgião. Em microadenomas, a taxa de sucesso (normalização do IGF-1) descrita na literatura é de 75%-95% e em pacientes macroadenomas não-invasivos esta taxa é de 40%-68% (14, 15). Em um estudo retrospectivo realizado no Brasil que incluiu 28 pacientes operados pelo mesmo cirurgião, observou-se taxa de remissão bioquímica de 57% (16).
Tumores nos quais o tratamento cirúrgico não resultará em cura são aqueles com extensão para seio cavernoso ou outras características de maior invasão. Apesar da baixa probabilidade de cura, estes pacientes podem se beneficiar do tratamento cirúrgico pela melhor resposta a outras terapias posteriores (17).
As principais complicações relacionadas à cirurgia são fístula liquórica, infecção e hipopituitarismo (14). O tratamento pré-operatório com octreotida não é recomendado neste Protocolo.
Imprensa Nacional BRASÍLIA - DF
DOU de 14/12/2011 – seção 1
Ministério da Saúde
Secretaria de Atenção à Saúde
CONSULTA PÚBLICA No- 5, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2011
O Secretário de Atenção à Saúde, torna pública nos termos do Art. 34, inciso II, c/c Art. 59 do Decreto No- 4.176, de 28 de março de 2002, minuta de Portaria que aprova, na forma do Anexo, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas - Acromegalia.
O texto em apreço encontra-se disponível, também, no seguinte endereço eletrônico: www.saude.gov.br/sas. A relevância da matéria recomenda a sua ampla divulgação, a fim de que todos possam contribuir para o seu aperfeiçoamento.
As contribuições deverão estar fundamentadas em estudos clínicos de fase III realizados no Brasil ou no Exterior e meta-análises de ensaios clínicos, e ser enviadas, exclusivamente, para o seguinte endereço eletrônico pcdt.consulta2011@saude.gov.br, especificando-se o número da Consulta Pública e o nome do Protocolo no título da mensagem. Os arquivos dos textos das fontes bibliográficas devem também enviados como anexos.
O Departamento de Atenção Especializada da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (DAE/SAS/MS) avaliará as proposições recebidas, elaborando a versão final consolidada do Protocolo ora apresentado.
Fica estabelecido o prazo de 40 (quarenta) dias, a contar da data de publicação desta Consulta Pública, para que sejam enviadas contribuições, devidamente fundamentadas, relativas ao citado Protocolo, para sua posterior aprovação, publicação e entrada em vigor em todo o território nacional.
HELVÉCIO MIRANDA MAGALHÃES JÚNIOR
ANEXO
PORTARIA No- XXXXX, DE 2011
O Secretário de Atenção à Saúde, no uso das atribuições;
Considerando a necessidade de se atualizar parâmetros sobre a acromegalia no Brasil e de diretrizes nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos indivíduos com esta doença;
Considerando que os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) são resultado de consenso técnico-científico e são ormulados dentro de rigorosos parâmetros de qualidade e precisão de indicação e posologia;
Considerando as sugestões dadas à Consulta Pública SAS/MS No- 5, de 12 de dezembro de 2011; e
Considerando a avaliação do Departamento de Assistência Farmacêutica - DAF/SCTIE e do Departamento de Atenção Especializada - DAE/SAS, resolve:
Art. 1º - Aprovar, na forma do Anexo desta Portaria, o PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS - ACROMEGALIA.
§ 1º - O Protocolo objeto deste Artigo, que contêm o conceito geral da acromegalia, critérios de diagnóstico, critérios de inclusão e de exclusão, tratamento e mecanismos de regulação, controle e avaliação, é de caráter nacional e deve ser utilizado pelas Secretarias de Saúde dos Estados e dos Municípios na regulação do acesso assistencial, autorização, registro e ressarcimento dos procedimentos correspondentes.
§ 2º - É obrigatória a observância desse Protocolo para fins de dispensação de medicamento nele previsto.
§ 3º - É obrigatória a cientificação do paciente, ou de seu responsável legal, dos potenciais riscos e efeitos colaterais relacionados ao uso de medicamento preconizado para o tratamento da acromegalia, o que deverá ser formalizado por meio da assinatura do respectivo Termo de Esclarecimento e Responsabilidade, conforme o modelo integrante do Protocolo.
§ 4º - Os gestores estaduais e municipais do SUS, conforme a sua competência e pactuações, deverão estruturar a rede assistencial, definir os serviços referenciais e estabelecer os fluxos para o atendimento dos indivíduos com a doença em todas as etapas descritas no Anexo desta Portaria.
Art. 2º - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º - Fica revogada a Portaria SAS/MS No- 471, de 24 de julho de 2002.
HELVÉCIO MIRANDA MAGALHÃES JÚNIOR
ANEXO
PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS ACROMEGALIA
1 - METODOLOGIA DE BUSCA DA LITERATURA
Foram realizadas busca nas bases de dados Medline/Pubmed, Embase e na Biblioteca Cochrane.
Na base de dados Medline/Pubmed foram utilizados os termos "Acromegaly" e "Therapeutics" e a busca foi realizada no dia 04/05/2011. Esta busca foi restrita para estudos em humanos e dos tipos ensaio clínico randomizado e meta-análise, resultando em 32 estudos. A busca não teve restrição de data ou língua. Destes estudos, não foram utilizados para elaboração deste PCDT os artigos sobre cirurgia para o tratamento da acromegalia, sobre reposição de GH após tratamento da acromegalia, observacionais, sem grupo controle, sem desfechos clínicos ou laboratoriais descritos. Com estes critérios, 13 estudos foram selecionados para elaboração deste PCDT.
Na base de dados Embase foram utilizados os termos "Acromegaly" e "Treatment" e foi realizada no dia 04/05/2011. Esta busca foi restrita para estudos em humanos e dos tipos ensaio clínico randomizado, revisão sistemática e meta-análise, resultando em 79 estudos.
A busca não teve restrição de data ou língua. Esta busca identificou 5 estudos que não haviam sido encontrados no Medline e que foram utilizados para elaboração do PCDT.
Na Biblioteca Cochrane, utilizou-se o termo "Acromegaly" para busca de revisões sistemáticas no dia 04/05/2011. Foram encontradas 3 revisões completas, sendo que nenhuma delas se referia ao tratamento da acromegalia e 3 protocolos de revisões a serem realizadas, sendo que uma delas se refere ao tratamento medicamentosoda acromegalia, mas ainda não apresenta resultados.
Para elaboração deste PCDT também foram consultados consensos de sociedades internacionais, livros textos de endocrinologia e o UpToDate 19.2, no do site http://www.uptodateonline.com/online/index.do. Todas as fontes utilizadas tiveram as suas referências revisadas na tentativa de obter outros estudos relevantes.
2 - INTRODUÇÃO
A acromegalia é uma doença crônica e insidiosa caracterizada pela hipersecreção do hormônio do crescimento (GH) sendo mais comumente resultante de um tumor hipofisário produtor de GH.
Além disso, a acromegalia também pode ser secundária a tumores produtores de GH fora da hipófise (tumores de células pancreáticas, linfomas), síndromes familiares e tumores com hipersecreção do hormônio liberador do GH (GHRH). O excesso de GH estimula a secreção hepática de insulin-like growth factor-I (IGF-1), que causa a maioria das manifestações clínicas da acromegalia (1, 2).
Os tumores hipofisários produtores de GH se originam de uma proliferação clonal benigna dos somotatrófos (células produtoras de GH localizadas na hipófise anterior). A formação destes tumores envolve mecanismos genéticos, hormonais e de sinalização intracelular.
A maioria dos pacientes com acromegalia secundária a tumores hipofisários tem mais de 50 anos e pacientes mais jovens em geral exibem tumores mais agressivos. Em relação ao tamanho, os tumores podem ser classificados como microadenomas (menos de 1cm) ou macroadenomas (mais de 1cm), sendo que mais de 70% dos tumores causadores de acromegalia são do segundo tipo (1, 2).
Além das manifestações clínicas e complicações associadas à acromegalia, existem evidências de aumento de mortalidade nestes pacientes (3). Naqueles pacientes com a doença não controlada, a mortalidade também parece estar aumentada (4).
A acromegalia é uma doença incomum sendo a sua incidência de aproximadamente 3 casos por milhão de pessoas por ano em estudos conduzidos na Europa e Estados Unidos (1). Em estudos de prevalência realizados na Europa, a prevalência varia de 40 a 70 casos por milhão de habitantes (5-9). Não foram encontrados estudos epidemiológicos no Brasil.
O tratamento pode ser feito por meio de cirurgia, radioterapia ou uso de medicamentos. É chamado de tratamento primário aquele usado como primeiro tratamento (em geral com intuito de controlar a doença em longo prazo). O tratamento secundário tem como objetivo o controle da doença naqueles pacientes não compensados após realização de tratamento primário.
3 - CLASSIFICAÇÃO ESTATÍSTICA INTERNACIONAL DE DOENÇAS E PROBLEMAS RELACIONADOS À SAÚDE (CID-10)
E22.0 Acromegalia e gigantismo hipofisário
4 - DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de acromegalia é feito pela suspeita clínica, da demonstração de excesso hormonal em exames laboratoriais e realização de exames radiológicos para determinação da causa de excesso de GH.
4.1 - DIAGNÓSTICO CLÍNICO
Por ser uma doença insidiosa, o atraso no diagnóstico em geral é de 7 a 10 anos (1, 2). Os sintomas da acromegalia podem ser decorrentes do próprio tumor hipofisário produtor de GH como defeitos visuais, paralisia de nervos cranianos (por invasão de seio cavernoso) e cefaléia, ou decorrentes do excesso de GH.
O excesso de GH pode manifestar-se por sinais clínicos de crescimento excessivo (macrognatia, crescimento de pés e mãos, hipertrofia de tecidos moles, macroglossia), complicações musculoesqueléticas (artralgias, síndrome do túnel do carpo, miopatia) e complicações sistêmicas como hipertensão arterial sistêmica (em até 30% dos pacientes), diabete melito, cardiopatia, hipertrofia de ventrículo esquerdo e apnéia do sono. Em pacientes jovens que ainda não tiveram o fechamento da cartilagem de crescimento pode ocorrer crescimento estatural exagerado e gigantismo (1, 2, 10). Além disso, alguns estudos retrospectivos demonstraram aumento da incidência de neoplasia, especialmente de cólon, porém este associação permanece controversa (11, 12).
4.2 - DIAGNÓSTICO LABORATORIAL
A maioria dos pacientes com acromegalia irá apresentar níveis elevados de GH e IGF-1. A comprovação deste excesso hormonal é imprescindível para o diagnóstico e deve ser feita pela dosagem de níveis séricos basais de IGF-1 e níveis séricos de GH após sobrecarga de glicose.
O melhor teste para o diagnóstico é a dosagem dos níveis séricos de IGF-1, estando elevado na maioria dos pacientes. Existem variações com a idade e com os diferentes métodos de dosagem, portanto os resultados devem ser avaliados levando em conta estas variações com os valores normais sendo fornecidos pelo laboratório (1, 13).
A avaliação laboratorial inicia-se com a dosagem do IGF-1 e, após, a dosagem do nível sérico de GH. A secreção de GH em indivíduos normais é pulsátil e estimulada por diversos fatores. Além disso, a concentração sérica de GH pode ser alterada por diversas doenças com diabete melito descompensada, doenças hepáticas e desnutrição.
Por estas razões, a dosagem de isolada de GH tem pouca utilidade diagnóstica, pois valores elevados podem ser encontrados em indivíduos normais em resposta a estímulos fisiológicos ou em indivíduos com outras doenças que ocasionaram sua elevação (1).
Entretanto, um valor muito baixo de GH (menor que 0,4 ng/mL) exclui o diagnóstico de acromegalia, especialmente se associado ao nível sérico de IGF-1 normal (2, 13).
A dosagem de GH após sobrecarga de glicose é um teste laboratorial dinâmico que permite a demonstração da não supressão da secreção de GH. Este teste é feito com dosagens de GH antes e após o paciente receber 75 gramas de glicose nos tempos 0, 30, 60, 90 e 120 minutos. Em pacientes normais os níveis de GH caem para menos de 1 ng/mL, sendo este o ponto de corte para caracterizar não supressão (1, 13, 14).
A dosagem no nível sérico de IGF-1 e o teste de supressão de GH após sobrecarga de glicose são também utilizados para avaliação de resposta ao tratamento nos pacientes com acromegalia (vide item 9).
Outros exames laboratoriais que são importantes para avaliação dos pacientes com acromegalia são a glicose de jejum (pela elevada prevalência de diabete melito nesta doença) e os níveis séricos dos hormônios para avaliação da função hipofisária nos pacientes com tumores na hipófise (ACTH, cortisol, TSH, T4 livre, LH, FSH e testosterona ou estradiol).
4.3 DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Os exames por imagem são importantes para determinar a origem do excesso de GH. Como a principal causa de acromegalia (cerca de 95% dos casos) é um tumor hipofisário produtor de GH, todos os pacientes com acromegalia devem ser submetidos a ressonância nuclear magnética (RM). Naqueles raros pacientes com diagnóstico clínico e laboratorial de acromegalia com RM normal, tumores ectópicos produtores de GH ou GHRH devem ser pesquisados.
Para isso, o paciente devem ser submetido a tomografia computadorizada de tórax e abdômen (1).
4.4 OUTROS EXAMES
Para avaliação das complicações decorrentes da acromegalia recomenda-se a realização de ecocardiograma, avaliação de distúrbios do sono e colonoscopia em todos os pacientes, devido a um aumento da incidência de neoplasia de cólon em alguns estudos (1, 14). Além disso, pacientes com tumores hipofisários que apresentem contato com o nervo óptico em RM ou tenham queixas visuais devem ser submetidos a exame oftalmológico com realização de campimetria.
5 - CRITÉRIOS DE INCLUSÃO
Devem ser incluídos no tratamento medicamentoso deste Protocolo pacientes que apresentarem diagnóstico de acromegalia conforme definido no item 4. É obrigatório para o diagnóstico a presença de manifestações clínicas e comprovação laboratorial de excesso hormonal (elevação de IGF-1 e não supressão de GH após sobrecarga de glicose).
PARA OCTREOTIDA:
Para tratamento primário com octreotida o paciente deverá apresentar contra indicação ao tratamento cirúrgico e não apresentar sintomas compressivos secundários ao tumor.
Para o tratamento secundário, serão elegíveis os pacientes que após 3-6 meses após procedimento cirúrgico não apresentarem critérios de controle da doença (vide item 9) e aqueles que foram submetidos à radioterapia e ainda não apresentam o controle da doença.
PARA CABERGOLINA E BROMOCRIPTINA:
O tratamento primário com estes medicamentos não é recomendado neste PCDT. Para o tratamento secundário, serão elegíveis os pacientes que após 3-6 meses de uso regular de análogos de somatostatina não apresentarem critérios de controle da doença, neste caso sendo associado este medicamento (vide item 9) ou não tolerarem os análogos da somatostatina.
6 - CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO
Intolerância, hipersensibilidade ou contraindicação serão os critérios de exclusão ao uso do respectivo medicamento preconizado neste Protocolo.
7 - CENTRO DE REFERÊNCIA (CR)
Pacientes com acromegalia devem ser avaliados periodicamente em relação à eficácia do tratamento e desenvolvimento de toxicidade aguda ou crônica. A existência de centro de referência facilita o tratamento em si, bem como o ajuste de doses conforme necessário e o controle de efeitos adversos.
8 - TRATAMENTO
O tratamento da acromegalia pode envolver procedimentos cirúrgicos, radioterapia e terapia medicamentosa. Para terapia medicamentosa estão disponíveis duas classes de medicamentos: agonistas da dopamina e análogos da somatostatina. Estes agem no tumor diminuindo a secreção de GH.
O controle da acromegalia é importante não só para o controle dos sintomas, mas também para a diminuição da mortalidade destes pacientes. Além do tratamento da acromegalia, estes pacientes também devem receber tratamento para as complicações decorrentes desta, como hipertensão arterial sistêmica, diabete melito e doenças cardíacas.
CIRURGIA
Na maioria dos casos, o tratamento primário da acromegalia é cirúrgico (13, 14). A remoção completa do tumor secretor de GH resulta em resolução bioquímica e melhora das alterações clínicas.
Diferentemente do tratamento medicamentoso, a cirurgia pode levar a cura sendo, por isso, o tratamento de escolha em pacientes com microadenomas, macroadenomas não-invasivos e tumores com sintomas compressivos. O resultado da cirurgia depende de diversos fatores, entre eles, fatores anatômicos do tumor e experiência do cirurgião. Em microadenomas, a taxa de sucesso (normalização do IGF-1) descrita na literatura é de 75%-95% e em pacientes macroadenomas não-invasivos esta taxa é de 40%-68% (14, 15). Em um estudo retrospectivo realizado no Brasil que incluiu 28 pacientes operados pelo mesmo cirurgião, observou-se taxa de remissão bioquímica de 57% (16).
Tumores nos quais o tratamento cirúrgico não resultará em cura são aqueles com extensão para seio cavernoso ou outras características de maior invasão. Apesar da baixa probabilidade de cura, estes pacientes podem se beneficiar do tratamento cirúrgico pela melhor resposta a outras terapias posteriores (17).
As principais complicações relacionadas à cirurgia são fístula liquórica, infecção e hipopituitarismo (14). O tratamento pré-operatório com octreotida não é recomendado neste Protocolo.